RESTAM POUCAS UNIDADES

>Obra do historiador João Antônio, lançada pela Carlini & Caniato Editorial

A arte e a história da fotografia e seu importante papel no cotidiano da sociedade mato-grossense em franca expansão são os temas do livro “Ofício e Arte: fotógrafos e fotografia em Mato Grosso – 1860-1960”, do pesquisador João Antonio Botelho Lucidio, que será lançado no próximo dia 18 (terça-feira), às 19 horas, no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (Rua Barão de Melgaço, 2.869, centro, Cuiabá).

Recheado com 250 fotos garimpadas pelo autor durante quatro anos de pesquisa, a obra é um estudo sobre alguns dos fotógrafos que visitaram ou viveram em Mato Grosso entre 1860 e 1960, além de um estudo apurado que observa de que modo o uso da fotografia foi ampliado e se tornou parte dos hábitos de consumo dos mato-grossenses. Traz, acima de tudo, a visão de mundo do fotógrafo que, nos seus primórdios era, antes de tudo, um viajante. “Não é um apanhado de pequenas biografias, mas uma reflexão sobre aspectos e momentos da história mato-grossense a partir das lentes e olhares perspicazes e, às vezes ingênuos, de homens que enfrentaram o sertão em lombos de burros, navegando rios, em boleias de caminhões, ou em pequenos aviões e deixaram registros em imagens fotográficas de situações, eventos, pessoas, obras e paisagens”, resume o autor. A publicação é co-edição entre a Editora da UFMT e a Carlini & Caniato Editorial.
“Ofício e Arte …” é o resultado de um trabalho de pesquisa aprofundado de João Antônio, que é historiador e professor no Departamento de História da Universidade Federal de Mato Grosso, graduado pela Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais, e mestre pela Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro. Atualmente, cursa doutorado na Universidade Nova de Lisboa, de Portugal.
Ele explica que selecionar as fotos foi um trabalho árduo, mas ao mesmo tempo muito prazeroso. “Consultei mais de 40 mil fotografias, dispersas em várias cidades e estados. Entre os critérios de seleção estavam a antiguidade, a identificação, a historicidade, o antropológico e o estético”.
Para o editores Ramon Carlini e Elaine Caniato, o trabalho de João Antônio parte de uma percepção diferenciada da fotografia. Mais do que ilustrar ou registrar, ela é vista como ferramenta para produzir conhecimento em História. “Ele centra seus esforços no sentido de entender a fotografia como documento e ao mesmo tempo procura dar visibilidade ao fotógrafo como autor de uma peça documental datada no tempo e no espaço, passível de leituras e interpretações”, explicam os editores.
Um passeio de automóvel, fato importante o suficiente para ser registrado nos idos de 1920, uma foto rara da família Ferrari, que residiu em Cuiabá na primeira década do século XX. Um índio da etnia Yawalapiti observando, muito provavelmente pela primeira vez, um avião na Serra do Roncador, em 1949. Imagens raras, que demonstram o poder e o fascínio despertado pela fotografia nos anos iniciais de seu uso.
Uma viagem que vale a pena viajar.

O Autor
João Antonio Botelho Lucidio é professor do Departamento de História da Universidade Federal de Mato Grosso. Graduado em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (MG), mestre pela Universidade Federal Fluminense e doutorando pela Universidade Nova de Lisboa.
Em Guiratinga – MT, estudou no Instituto Bom Jesus – fundado pelos Salesianos desde o início dos anos de 1930 –, onde recebeu sólida formação escolar. Como a maioria dos alunos do colégio, participava das ações catequéticas ministradas pelos religiosos no Centro Social Pio XII. Ali, os padres mantinham um cinema com objetivos de transmitir ensinamentos cristãos. As aulas de catequese ilustradas com slides e ao filmes projetados aguçavam a mente fantasiosa do então menino e o transportava para mundos desconhecidos, como o distante Oriente. Talvez, tenha surgido ali o gosto pelas imagens e pela História.
Nos últimos cinco anos, João Antonio tem dedicado muito de seu tempo a localizar e organizar acervos fotográficos, tanto de instituições, como coleções privadas (de famílias). Entre os trabalhos de maior vulto, coordenou os seguintes projetos: Conservação e Digitalização do Acervo Iconográfico Lázaro Papazian; Memórias do Saber: Digitalização das Imagens da Comissão Rondon em Mato Grosso; Conservação do Acervo Iconográfico da Casa dos Jesuítas em Mato Grosso, além de ter identificado e digitalizado os acervos de diversas famílias mato-grossenses.

Anônimo
“Passeio de Automóvel”
Cuiabá, MT, c. 1920
Gelatina e prata, p&b, 9 x 12 cm.
Acervo: Museu da Imagem e do Som de Cuiabá
O momento de maior transformação do espaço urbano da capital de Mato Grosso ocorreu durante a administração do governador Mário Corrêa da Costa (1926-1930). Foi ele quem chamou para si a responsabilidade de adaptar a capital e o Estado ao transporte rodoviário.
Pe. Edgar Jacob Schmidt
“Diversão no rio Papagaio” – Missão Santa Terezinha do Utiariti, Prelazia de Diamantino, MT, 1956
Gelatina e prata, p&b, 9 x 12 cm.
Acervo: Missão Anchieta, Centro João Burnier
Foto Ferrari
“Tenente Accioly e sua família”
Cuiabá, MT, 1919
Albúmen: 17 x 11 cm.
Acervo: Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso
Coleção Família Rodrigues
Os irmãos Ferrari, que haviam residido em Cuiabá na primeira década do século XX, parece que, ligados a Antonio (Tóto) Paes de Barros (1902-1906), se mudaram da cidade logo após seu assassinato e só retornaram à capital mato-grossense por volta de 1918. Nessa nova fase, dedicaram-se mais aos retratos e aos eventos socais, tão comuns naquela época.

Pe. Edgar Jacob Schmidt
“Mário ouve com gosto, como os outros aprendem a pronunciar o ‘O’” – Missão Santa Terezinha do Utiariti, Prelazia de Diamantino, MT, 1954 – Gelatina e prata, p&b, 9 x 12 cm.
Acervo: Missão Anchieta, Centro João Burnier



Anônimo
“Casa Calapalo”
Xingu, MT, c. 1940
Gelatina e prata, p&b, 12 x 18 cm.
Acervo: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro Coleção Ramiro Noronha

Jose Medeiros
“Índio Yawalapiti”
– Serra do Roncador, MT, 1949 – Gelatina e prata, p&b.
Acervo: Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro, RJ.

Pe. Edgar Jacob Schmidt
“Visita de missionários à aldeia do Capitão Júlio”
– Missão Santa Terezinha do Utiariti, Prelazia de Diamantino, MT, 1954
Gelatina e prata, p&b, 12 x 9 cm. – Acervo: Missão Anchieta, Centro João Burnier

Anônimo
Capitão Antonino
Posto Simões Lopes, MT, c. 1922
In: Rondon, 1953
Acervo: Missão Anchieta, Biblioteca Katukulosu
Na origem, esta fotografia vem com a seguinte legenda: “O histórico capitão Antonino, chefe da tribo Bacairí, que acompanhou a expedição Karl von den Steinen em 1883 e dirigiu ainda há pouco tempo a tribo. Faleceu com cerca de 80 anos de idade, recentemente” (Rondon, 1953).

 

 

Marc Ferrez
“Menino índio”
Mato Grosso (?), 1880
Albúmem, 23,9 x 17,9 cm.
Acervo: Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro, RJ

Erich Joachim Hess
“Casa do Alferes, na Rua Voluntários da Pátria”

Cuiabá, MT, 1945
Gelatina e prata, p&b, 18 x 24 cm.
Acervo: Museu da Imagem e do Som de Cuiabá

Wilhelm von den Steinen
Os líderes da expedição ao Xingu.
Cuiabá, MT, 1884
Litografia: Johannes Gehrts
In: Steinen, 1886
Acervo: Paulo Pitaluga Costa e Silva
Da esquerda para a direita: Dr. Otto Clauss, Karl von den Steinen e Wilhelm von den Steinen.

 

Ficha Técnica
Autor: João Antonio Botelho Lucidio
Edição:
Data de Publicação: 2008
ISBN: 978-85-99146-59-0 (Carlini & Caniato) / 978-85-327-0298-2 (EdUFMT)
Tamanho: 31,5 x 22,5 cm
Nº. de páginas: 256
Gênero: Fotografia, História, Arte
Preço: R$ 128,00
Editoras: Carlini & Caniato Editorial / EdUFMT
Contatos: (65) 3023-5714 / 5715 – comercial@tantatinta.com.br

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