Cuba de Che – 50 anos depois da revolução

>Izan Petterle e Frans Glissenaar

Nesta quarta feira, 17, o fotógrafo brasileiro Izan Petterle e o jornalista holandês Frans Glissenaar lançam o livro “Cuba de Che – 50 anos depois da Revolução”, na Livraria da Vila, no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo.

Tudo começou em abril de 2008, quando o fotógrafo e o jornalista decidiram refazer os caminhos trilhados pelo líder guerrilheiro Ernesto Che Guevara durante a Revolução Cubana. Depois de anos pesquisando e tramando a jornada, o brasileiro encontrou no holandês o parceiro ideal para compartilhar o trabalho. Tomando como guia o próprio diário de Che, Pasajes de la Guerra Revolucionaria -, partiram, então, exatos 50 anos depois, em busca dos vestígios desse capítulo singular da História.

Desde a morte prematura de Che, Cuba experimenta uma espécie de sebastianismo em torno da figura legendária do guerrilheiro. E essa espera mística, que nos anos 70 extrapolou as fronteiras do pequeno país para se tornar o símbolo máximo da revolução idealista e transformadora, sempre alimentara a imaginação de ambos os autores.

Mas, além dos 3900 quilômetros de terra a desbravar, jornalista e fotógrafo ainda tinham outros desafios. Por sua história sui generis e singularidades culturais, Cuba sempre esteve sob a mira de muitos artistas e escritores. E depois de tantas imagens e palavras que sempre inundaram nossos olhos quase que compulsoriamente, como ver o lugar sob novas perspectivas?

A tomar por essa problemática, poderíamos pensar que um livro sobre Cuba, fosse, hoje, apenas mais um livro sobre Cuba. Até porque, quem se aventura a registrar ou fazer qualquer tipo de reportagem sobre o lugar ainda tem uma outra questão a resolver: a censura. Jornalistas dificilmente conseguem tirar algum depoimento dos moradores, que, como todos sabemos, não podem manifestar livremente suas opiniões, não têm liberdade de ir e vir.

A postura adotada pelos dois autores, então, foi deixar o lado meramente objetivo para assumir a integridade subjetiva. Assim, o que temos nesse “Cuba de Che, 50 anos depois da revolução” é a soma de visões de dois estrangeiros sobre o local. Como bons ouvintes e observadores, jornalista e fotógrafo simplesmente deixara-se se guiar pela intuição, deslocando-se por entre vestígios, resquícios, pistas que nos induzem a formar nossos próprios pensamentos sobre o lugar.

A despeito de qualquer marasmo que possa pairar sobre novos textos e novas imagens de Cuba, os autores conseguiram criar um diário íntimo e envolvente, costurando narrativas visual e textual a partir de dados históricos e ação no tempo presente, passando ao espectador/leitor uma profusão silenciosa de sensações, de fé e desencanto de um povo que se reinventa bravamente, a cada dia. Suspensa no tempo e no espaço, eis um retrato de Cuba: à espera.

Trecho do livro
“Na tarde seguinte, decidimos retornar a Playa las Coloradas. Torcemos para cruzar de novo com os soldados que tínhamos visto no dia anterior; talvez pudessem estar içando uma bandeira ou fazendo algum outro tipo de cerimônia. Mas eles não estão aqui hoje. Em seu lugar, encontramos o vigia do monumento e do museu; ele nos diz que é absolutamente proibido caminhar pelo píer após as 18h. Depois de longas deliberações, ele concede a Izan permissão para fazer uma foto à beira-mar enquanto me mostra o museu. Ali, começo a compreender como as pessoas sabem que este foi o local onde o Granma ancorou: o museu reúne muitos objetos coletados ao longo dos anos no mangue – armas perdidas, uma mochila, sacos de dormir e outros objetos, como um guia turístico da Cidade do México. Além disso, não há mais muita coisa a se ver no museu; o bar e o terraço adjacente são maiores do que as duas salas pequenas de exposição. O zelador reclama da falta de visitantes. É verdade que no dia 1º de maio o lugar fica apinhado de gente por causa das manifestações no estacionamento – que agora está deserto. Ele sugere que deveriam fazer um restaurante com ar-condicionado em vez do bar ao livre. “Do lado de fora faz calor demais, principalmente para os turistas estrangeiros.” Sinceramente, duvido que muitos turistas estrangeiros viriam até aqui por causa de uma mudança desse tipo, já que o lugar vai continuar sendo distante e remoto”.

Sobre os autores

Izan Petterle é um dos mais importantes colaboradores da National Geographic Brasil, atuando na revista desde seu lançamento no país, em maio de 2000. O ineditismo e riqueza de seu trabalho já lhe renderam três primeiros lugares do Prêmio Abril de Jornalismo 2000, 2001 e 2007, na categoria Reportagem Fotográfica. O editor da revista, Ronaldo Ribeiro, refere-se ao seu trabalho da seguinte maneira: “Os anos de andanças fizeram dele um documentarista sensível e objetivo. Os personagens que documenta exaltam suas raízes, fé, sentimentos. Eles ostentam a expressão e a vitalidade dos trópicos”.

Frans Glissenaar (Montfoort, Holanda, 1960) é jornalista freelancer há mais de 25 anos. Trabalhou em revistas, jornais e programas de televisão em seu país. Na função de jornalista, viajou várias vezes para a Ásia (Indonésia, Vietnã) e pelo continente latino-americano. Produziu junto com Izan Petterle no Brasil reportagens para a edição holandesa da revista National Geographic.

FICHA
Título: “Cuba de Che, 50 anos depois da revolução”
Autores: Izan Petterle (fotografias) e Frans Glissenaar (textos)
Edição: 1ª
Ano de Publicação: 2008
ISBN: 978-85-99146-62-0
Tamanho: 28 x 18 cm
Número de páginas: 144
Gênero: Fotografia, História, Arte, Aventura
Editora: Carlini & Caniato Editorial
Preço: R$ 89

CONTATO
Do autor: izan@izanpetterle.com;
Da editora:
Cuiabá: (65) 3023-5714
São Paulo: (11) 2063-8961
contato@tantatinta.com.br

SERVIÇO
Lançamento do livro
Quando: Dia 17 de dezembro de 2008, quarta feira, das 18h30 às 21h30
Onde: Livraria da Vila – Shopping Cidade Jardim
Av. Magalhães de Castro, 12000, São Paulo-SP
Pista Local da Marginal Pinheiros, entre as pontes Cidade Jardim e Morumbi
Informações: tel. (11) 3755-5811

Informações para imprensa
Érica Rodrigues
11. 9891 7170
sintaxepaulista@gmail.com.br

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