Saiu na Folha de São Paulo

Ricardo Guilherme Dicke ganha edição póstuma de quatro obras.
Lançamentos apresentam originais deixados para a família.

RODRIGO VARGAS
DE CUIABÁ

O escritor mato-grossense Ricardo Guilherme Dicke cumpriu uma trajetória nada incomum no mundo das artes: morreu, em 2008, desconhecido do público, apesar de uma franca aprovação da crítica a sua obra e estilo.
Descoberto 30 anos antes, em uma premiação literária que tinha Guimarães Rosa e Jorge Amado entre os jurados, Dicke deixou 12 obras publicadas e foi apontado por Hilda Hilst (1930-2004) como um dos “gigantes” da literatura nacional.
O currículo não facilitava o trânsito de Dicke nas grandes editoras. Em 2001, uma reportagem da Folha mostrou que o escritor era obrigado a buscar, “como um novato”, patrocínio para bancar a publicação de suas obras.
O reconhecimento póstumo ainda não veio, mas conta com quatro argumentos inéditos a seu favor. A iniciativa é de uma editora de Mato Grosso que acaba de publicar o romance “Cerimônias do Sertão”, a novela “Os Semelhantes” e os livros de contos “A Proximidade do Mar e a Ilha” e “O Velho Moço e Outros Contos”.

ACERVO
Os lançamentos fazem parte de um conjunto de originais deixados pelo escritor aos cuidados de sua família. O romance e a novela são dos anos 1970. Os livros de contos foram escritos pouco antes de sua morte.
“Os originais estavam escritos à máquina e com muitas correções feitas à mão pelo autor. Prepará-los para a publicação exigiu um trabalho quase artesanal”, diz o editor, Ramon Carlini.
No romance e na novela, Dicke parte de seu cenário fundamental: o interior de Mato Grosso, a vastidão incontrolável de sua natureza, o sertão “onde o homem só pode ouvir a si mesmo e a ninguém mais”.
Nas 445 páginas de “Cerimônias do Sertão”, Dicke explora os descaminhos de um professor de filosofia desempregado e com distúrbios psíquicos que se vê ilhado em uma pequena cidade.
Em “Os Semelhantes”, quatro personagens têm seus destinos ligados após a descoberta de um diamante. No ano passado, uma editora paulista republicou “Deus de Caim”, o romance de estreia de Dicke. À ocasião, o escritor Marçal Aquino classificou o autor como “ferozmente original”.

Folha de São Paulo – Ilustrada
São Paulo, sábado, 23 de julho de 2011

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