Catálogo Siriri Flor do Cambambi

Daniel Pellegrim

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catálogo Siriri Flor do Cambambi

O violeiro arranha freneticamente as cordas da viola-de-cocho, enquanto um tocador batuca o mocho e outro toca o ganzá. Entram no recinto pés descalços e botinas batendo no chão, de modo a encorpar o ritmo ditado pelos instrumentos; inicia a dança de moças e rapazes e a sua cantoria – “o neguinho aduladô, adula sinhá, adula sinhô…” – e a coisa vai se esquentando. Mãos batem com força umas contra as outras e pés batem no chão, às vezes vôos acontecem. É roda, é fila cruzando de um lado para outro, moços de um lado, moças de outro. As saias floridas giram, fitas aparecem, até que surge um “balainho” de flor que vem do céu, oh, vem do céu! Um a um os dançarinos entram no meio da roda, suspendendo e abaixando o balaio cheio de flores que lembram as que os fiéis de Santo Antônio – padroeiro do Grupo de Siriri Flor do Cambambi – colocam nos altares desse santo em dias de festa. Vez ou outra os dançarinos convidam algum espectador para entrar no meio da roda e dançar com o “balainho”. Chapéus ao alto e saias vibrantes despedem-se e agradecem a atenção do público, mas nada fica como antes, aqueles corpos com sua dança, palmas, cantos, cores, cheiros e saberes ressignificam a dureza da vida no interior do Brasil e se transformam, modificando cada um dos ambientes em que se apresentam. Essa é a dança do Grupo de Siriri Flor do Cambambi, de Água Fria, distrito do município de Chapada dos Guimarães, Mato Grosso.

 

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